quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Correia Lima é condenado a 19 anos de prisão pelo assassinato do cabo Honório

O ex-coronel José Viriato Correia Lima foi condenado nesta quarta-feira (18) a 19 anos e seis meses de prisão pelo assassinato do cabo José Honório Barros Rodrigues, morto há 27 anos.
O júri popular demorou 8h de julgamento, mas o juiz Antônio Nollêto anunciou a sentença por volta das 17h40.
O promotor Márcio Carcará considerou o resultado “justo” e disse que a decisão já era esperada.
“Há provas testemunhais, periciais e documentais indicando que o cabo Honório foi morto por queima de arquivo e o ex-coronel seria o autor intelectual”, disse o promotor.
Durante o julgamento, o policial Raimundo Gonçalves, testemunhou que Correia Lima foi o mandante do crime, já que o cabo era um arquivo vivo da quadrilha. Cabo Honório, segundo a investigação, seria o braço direito de Correia Lima. 
Advogado Wendel Oliveira
O ex-coronel Viriato Correia Lima afirmou ser inocente pela morte do cabo José Honório Barros Rodrigues, o cabo Honório, e disse que a vítima era “como um filho” para ele. O ex-militar disse ainda que seu primo José Enilson Couras, o Courinhas, já condenado pelo homicídio, teria interesses particulares na morte do policial. O crime ocorreu em Teresina no dia 20 de junho 1988. 


“Essa mulher [Magnólia Pereira da Cruz, namorada da vítima à época do crime] nega, mas ela tinha um caso com Honório e o Courinhas também tinha interesse em se relacionar com ela. Quando Honório soube, veio falar comigo, dizendo que queria matar Courinhas, eu pedi que deixasse isso para lá, mas o Courinhas ficou sabendo e matou ele antes. Aí eu pergunto: onde é que eu entro nisso? Para mim ele era como um filho. Por que eu ia matá-lo?”, declarou em depoimento no julgamento. 
Defesa e acusação discutiram durante o depoimento do réu, no momento em que o promotor Márcio Carcará perguntou se Correia Lima havia mudado sua versão apenas porque Courinhas já havia sido condenado. A defesa questionou a pergunta já que a informação da condenação não constava nos autos do processo. 
O juiz Antônio Nolêtto interviu e permitiu que o réu respondesse o questionamento. “Para mim não interessa se ele foi condenado. Eu, na época, não queria problema para minha família. Courinhas podia me matar, ou minha mulher, ou minha filha. Ele é um homem muito perigoso. Eu não sei o que ele poderia fazer caso contasse o que as testemunhas disseram e que eu fiquei sabendo. Courinhas entrou na minha chácara e deu um tiro de 12 na cara do Honório, mas eu não vi porque estava dormindo”, descreve Correia Lima. 

O ex-militar afirmou que dormia no primeiro andar de sua chácara quando escutou um disparo no térreo e antes de descer teria trocado de roupa e escovado os dentes, dessa forma, ele afirma que já não encontrou nem o corpo do cabo Honório e nem a rede onde este estaria dormindo quando foi baleado. 
Um outro fato, segundo descrito por ele no depoimento, relaciona Courinhas diretamente à morte do cabo. Um primo de Courinhas teria sido demitido da Secretaria de Fazenda de Fortaleza naquele ano e este teria chamado o cabo Honório para executar o responsável pela demissão. Contudo, o cabo teria descumprido uma ordem de Courinhas e assassinado o homem em uma casa de shows da capital cearense. "Ele também queria matar o Honório para não ser acusado desse crime, foi mais um motivo", afirmou. 
O promotor Márcio Carcará, contudo, afirma que o Ministério Público sustenta a acusação e destaca que Correia Lima mentiu em todos os seus depoimentos. Em um primeiro momento, ele teria dito não saber quem teria assassinado o cabo Honório. Posteriormente, afirmou que ele foi ameaçado de morte após uma discussão no bar Paralelo 33, na zona Leste de Teresina. Dessa vez, Correia Lima aponta Courinhas como o autor da morte. 
"Em depoimento, o soldado Raimundo Gonçalves afirmou o que o Ministério Público também sustenta. O cabo Honório foi morto em uma queima de arquivo a mando de Correia Lima, porque era braço direito do ex-coronel no crime organizado", afirmou.
Matéria original
Após ser adiado por duas vezes e suspenso na metade na terceira tentativa, acontece hoje (18), o julgamento do ex-coronel José Viriato Correia Lima pela morte do cabo da Polícia Militar José Honório Barros Rodrigues, homicídio que ocorreu em 1988. 
No dia 1º de outubro, o julgamento já estava ocorrendo quando dois dos sete jurados passaram mal e o juiz teve que suspender as atividades no Tribunal do Júri. Por volta das 13h30, após a pausa para almoço, um dos membros do júri teve crise convulsiva. Ele ficou inconsciente e chegou a ser socorrido no chão. O setor médico do Tribunal de Justiça prestou socorro e quando estavam socorrendo um, outro membro do júri teve uma crise de pânico. Ele foi medicado e foi encaminhado à sua residência.
Na ocasião, o juiz Antônio Nolêto comandava a sessão e três testemunhas já estavam sendo ouvidas: uma namorada da vítima, à época do crime, e o delegado Francisco de Paulo Marques, que comandava a Comissão Investigadora do Crime Organizado (Cico), quando a vítima foi assassinada. 
O promotor de acusação é Márcio Georgi Carcará Rocha. E a defesa de Correia Lima, deve ser realizada pelo advogado Wendel Oliveira.
Novos membros foram escolhidos para júri popular e o policial militar Raimundo Gonçalves foi novamente convocado para prestar esclarecimento durante julgamento. O promotor afirma que o soldado Gonçalves será chamado em caráter de imprescindibilidade. 
cidadeverde.com