sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Família roda o Brasil lutando contra aborto

       Casal teve filha com anencefalia e hoje luta pela vida de outros bebês
O potiguar Haroldo Lucena, 51 anos, está em Teresina com a esposa e os dois filhos pequenos, segundo ele, para cumprir uma missão: transmitir sua mensagem em favor da vida e contra o aborto. Haroldo viaja desde 2013 por todo o Brasil contando, por onde passa, o testemunho de sua filha, a pequena Ruhama, 4 anos, que nasceu com má formação congênita e também é anencéfala, isto é, nasceu com parte do cérebro.
Segundo o pai de Ruhama, quando a criança ainda estava no ventre da mãe os médicos de uma maternidade de Natal (RN) já informavam que esta não teria a menor possibilidade de viver. “Eles relatavam que na barriga da mãe não havia uma criança, mas um ser em má formação”, relata.


A esposa, que estava grávida de gêmeos, deu a luz aos pequenos Mateus, que nasceu sem nenhum problema de saúde, e Ruhama. O pai relata que no mesmo dia, uma enfermeira da maternidade onde os filhos nasceram o procurou e solicitou que descartasse o segundo feto, no caso Ruhama. A médica também o encorajou ao ato, alegando que a criança não chegaria a 24 horas de vida. “Quando eu cheguei, a médica me falou da situação, disse que tínhamos aparentemente uma criança, mas que ela não tinha possibilidade de sobreviver mais do que 24 horas. Eu olhei a minha filha e ela estava chorando, então eu disse: Doutora, ela tem vida”, conta.
“Deus tocou em meu coração. Comecei a rezar por minha filha um Pai Nosso, uma oração simples”, conta Haroldo, que levou a filha para casa 21 dias depois de seu nascimento. “Levamos nossa filha para casa, cuidamos dela e ela começou a ganhar peso”, diz.
(Crédito: José Alves Filho)
Pais enfrentaram resistência da sociedade
O pai conta que passaram por uma série de constrangimentos depois do nascimento da filha, um deles foi a comprovação do sexo da criança. “Tivemos problemas com o reconhecimento do sexo de nossa filha. Tivemos que realizar um exame para provar que ela era uma menina, pois eles não queriam acreditar. O primeiro registro dela não declara o sexo e, só após o exame, pudemos ir à justiça, para o juiz autorizar a correção”, conta.
A mãe, Maricélia da Silva, 33 anos, reconhece as limitações da filha, mas afirma que ela é uma criança muito saudável. “A imunidade de Ruhama é maior do que a de Mateus, ele adoece mais do que ela”, afirma.
(Crédito: José Alves Filho)
A família, que conta com o acolhimento e apoio de pessoas por onde passa, continuará a divulgar a sua mensagem por outros pontos do país. Haroldo pontua que eles não saem pedindo nada, a não ser a oportunidade de serem ouvidos, principalmente pela mídia . Ele relata que depois de falarem em alguns estados já chegaram ao conhecimento de mais de 36 mil testemunhos de mães, que preteriram o aborto e optaram por ter seus filhos.
“Nós passamos pelo Brasil, divulgando nos meios de comunicação a nossa luta que é em defesa da família e da vida. Lutamos contra o aborto, porque nos foi sugerido o aborto. Hoje, infelizmente, há uma cultura de descarte muito grande de crianças que nascem com algum tipo de má formação. Você, papai e você, mamãe, que tem uma criança especial muitas vezes escondida dentro da sua casa por causa da sociedade, mostre o seu filho, não o deixe sofrer em uma prisão, mas tenha orgulho da escolha que você fez de tê-lo, porque, na verdade, não é a criança que é especial, mas vocês é que são especiais”, encerra.
Fonte: Cidade Verde