quarta-feira, 30 de março de 2016

Deficiente retira prótese da perna após ser barrado na porta de banco

Aposentado Gilberto Forti tirou a prótese e ficou de joelhos na entrada da agência da Caixa (Foto: Aparecida Forti/Arquivo pessoal)
Um deficiente físico foi barrado na entrada de uma agência bancária da Caixa Econômica na Vila Albertina, Zona Norte de São Paulo, tirou a calça, retirou a prótese metálica da perna esquerda e ficou de joelhos na entrada do banco. Ele disse ter avisado a segurança e a gerência que usava uma prótese metálica na perna esquerda. A Caixa disse que o cliente não quis esperar a porta auxiliar ser aberta e retirou a prótese. O incidente aconteceu na manhã de segunda-feira (28).
"Não gosto de escândalos, mas dessa vez foi constrangimento demais", disse Gilberto Forti, de 57 anos. "Nunca tinha passado por uma humilhação dessas. Trabalhei minha vida inteira e merecia mais dignidade." Ele teve a perna amputada há quatro anos em consequência da diabetes e foi aposentado por invalidez.

Forti disse que chegou ao banco acompanhado pela esposa. Afirmou que não é cliente da agência, mas já havia ido ao local por quatro vezes e sempre conseguiu entrar, depois de explicar sobre a prótese. Dessa vez, no entanto, a entrada não foi autorizada pelo segurança e por uma gerente da agência. "Minha esposa levantou minha calça, mostrou a prótese, explicou que eu sou amputado. Mas eles disseram que não me conheciam e não iriam abrir."
O aposentado diz que "surtou" ao ser barrado. "Tirei as calças, tirei a prótese e fiquei de joelhos. Depois sentei e fiquei meia hora ali até a polícia chegar." A mulher dele chamou a polícia e o casal registrou boletim de ocorrência no 20º DP.
A Caixa Econômica Federal disse que o cliente recusou-se a mostrar a prótese de metal ao vigilante e, antes que a gerência pudesse abrir a porta auxiliar, conforme prevê a regra de segurança, o cliente já havia retirado a prótese. Afirmou ainda que "o cliente voltou à mesma agência nesta quarta-feira (30) e foi atendido normalmente, sem qualquer transtorno".
Leia a nota da Caixa Econômica Federal:
"A Caixa Econômica Federal esclarece que utiliza portas automáticas giratórias com detectores de metal em suas agências, de acordo com a Lei 7.102/83, que disciplina o sistema de segurança em estabelecimentos financeiros, em todo território nacional.
As portas giratórias são utilizadas por todos bancos para impedir o acesso de pessoas armadas às agências, e nunca para criar obstáculos aos usuários. O objetivo é proteger os clientes, seus empregados e patrimônio.
Com relação ao caso específico, a CAIXA esclarece que o cliente recusou-se a mostrar a prótese de metal ao vigilante e, antes que a gerência pudesse abrir a porta auxiliar, conforme prevê a regra de segurança, o cliente já havia retirado a prótese.
Hoje, 30 de março, o cliente voltou à mesma agência e foi atendido normalmente, sem qualquer transtorno."
Fonte: G1