sábado, 9 de abril de 2016

Desempregado, homem pede vaga no semáforo e conquista novo emprego

Uma caneta, uma cartolina e uma ideia. Em busca de trabalho há quatro meses e sem sucesso nas raras oportunidades de entrevista que surgiram no período, o técnico em curtimento Rodrigo Nascimento decidiu depositar em uma campanha a esperança de voltar a trabalhar. Em um cartaz escreveu ‘Não quero dinheiro, preciso de trabalho. Você pode me ajudar?”, e foi às ruas.
Em um semáforo na Estação, em Franca (SP), Nascimento passou dois dias inteiros erguendo o cartaz e distribuindo currículos a quem pudesse tentar ajudá-lo.
Ele só não esperava que o resultado viria tão rápido. Nesse período surgiu a primeira proposta e, enfim, a carteira voltou a ser assinada. No primeiro dia do novo emprego em uma empresa de comunicação visual, Nascimento demonstrou alívio.
“O plano agora é colocar a vida em ordem, com a cabeça mais tranquila. E, principalmente, pagar as contas da casa, eu tenho quase quatro meses de trabalho para por em ordem ainda as contas”, diz.


A saga em busca de emprego
A busca por uma nova oportunidade começou quando Nascimento ficou desempregado há quatro meses. Com formação de técnico em curtimento e atuações em vendas, logística e controle de qualidade, ele percorreu várias empresas em Franca distribuindo currículos e os encaminhando por email.
Mas em meio à crise econômica no país, as oportunidades se mostraram muito escassas. “Nada apareceu. Correr atrás das empresas não estava surtindo o efeito necessário”, afirma.
Aos 38 anos, com duas filhas, de 3 e de 14 anos, e com as contas acumuladas, já que o salário da mulher não cobre sozinho o orçamento da família, Nascimento teve uma ideia – sem prazo para resultados, mas um tanto ousada. "A situação estava bem preocupante. Eu já estava chegando no limite do desespero."
Ele resolveu que pediria ajuda no semáforo, mas não em dinheiro. Decidiu pedir um emprego. Com muitos currículos, ele colocou sua mensagem em um cartaz e passou a distribuí-los entre carros, motos, caminhões e ônibus.
Foram dois dias assim até que o instalador Carlos Henrique de Souza passasse de carro pelo cruzamento. “Quando eu vi de longe, pensei ‘ nossa, mais um pedindo dinheiro’. Mas, quando eu e meu amigo chegamos perto e vimos o cartaz, o semáforo abriu e a gente fez o povo esperar um pouco, pegou o currículo dele e levou para a empresa”, conta.
O currículo chegou às mãos do empresário Giuliano Denizar de Almeida, que não só se comoveu com a situação, como aprovou as qualificações de Nascimento. “Ele está dando um jeito de se mostrar. Isso mostra o potencial da pessoa e, para nós, faz toda a diferença”, explica.
Almeida chamou Nascimento a uma entrevista para uma vaga de auxiliar de montagem. O candidato foi aprovado e começou a trabalhar na quinta-feira (7).
No primeiro dia do novo emprego, a alegria tomou conta do auxiliar que, mesmo diante da dificuldade, nunca deixou de perder a esperança em reconquistar um trabalho. “É muita felicidade por ter conseguido. Estou me sentindo muito bem, a gente sai daquela sensação de estar estagnado , parado. Voltar à atividade já faz com que a gente melhore bastante o ânimo, o humor”, revela.
Fonte: G1