quarta-feira, 6 de abril de 2016

Promotor denuncia enfermeira por morte de criança no Piauí

Sara Valentina morreu após ser medicada em hospital de Campo Maior (Foto: Reprodução/TV Clube)
Profissionais teriam trocado medicamento, que resultou na morte de criança. Remédio aplicado é o mesmo usado na execução da pena de morte nos EUA.
O promotor de Justiça Luciano Lopes apresentou denúncia nesta terça-feira (5) na Comarca de Campo Maior, a 78 km de Teresina, contra uma enfermeira e uma técnica de enfermagem por homicídio culposo. As duas profissionais são apontadas no inquérito policial como responsáveis por trocar o medicamento que resultou na morte de Sara Valentina Alves do Nascimento, de um ano e oito meses, em setembro do ano passado.
De acordo com o promotor, uma enfermeira do Hospital Regional de Campo Maior foi quem preparou as injeções de cloreto de potássio, que deveria ser diluída no soro fisiológico antes de ser aplicada na paciente, e uma outra com dipirona que devia injetada na veia. Após o preparo, as medicações foram entregues a uma técnica de enfermagem, que teria trocado os remédios na hora da aplicação.
"A morte da Sara foi por negligência. Ao aplicar o cloreto na veia da paciente de maneira rápida, a técnica provocou a morte imediata da criança por asfixia. Além da troca dos medicamentos, a enfermeira não poderia ter repassado os remédios para a outra pessoa, pois quem prepara é quem deve aplicar", relatou.

Luciano Lopes revelou que cloreto de potássio é o mesmo componente que, ao ser aplicado diretamente na veia, é usado na execução da pena de morte nos Estados Unidos e também para matar cachorros. Em humanos, ele só pode ser usado, quando diluído no soro e de forma gradativa. Aplicado diretamente na veia, causa a morte.
"Vamos aguardar o parecer do juiz para saber se aceita ou não a denúncia. Caso ele receba, as funcionários do hospital devem apresentar defesa em 10 dias e posteriormente serão convocadas para uma audiência. Enquanto isso, as duas denunciadas continuam trabalhando na unidade de saúde e respondem também por um procedimento administrativo", contou.
Entenda o caso
Em setembro do ano passado Sara Valentina deu entrada no hospital público de Campo Maior com diarreia e dores no estômago. A criança foi medicada, mas passou mal e morreu após o atendimento. A família suspeitou de erro médico e o laudo do Instituto Médico Legal de Teresina (IML) concluiu que a morte foi causada por edema pulmonar.
Além da investigação da polícia, uma sindicância do Conselho Regional de Medicina (CRM) foi aberta, mas segundo a assessoria de imprensa do órgão, o processo tramita em sigilo e o conselheiro sindicante pelo caso ainda não concluiu o procedimento.
Etapas da investigação
Na época, a polícia também investigou o desaparecimento de imagens gravadas pelas câmeras de segurança do hospital no dia do atendimento. De acordo com o perito Jorge Andrade, do Instituto de Criminalística, as imagens não foram possíveis de serem acessadas.
“Houve uma falha no equipamento e por isso não podemos ter acesso as imagens. O HD do equipamento que capturou as imagens teve um defeito técnico que impossibilita a visualização das imagens”, contou.
A direção do Hospital Regional de Campo Maior informou que foi disponibilizado, no mês de outubro, o aparelho de captura de imagens do hospital. Sobre o material usado durante o atendimento da paciente, o hospital repassou que foi jogado fora, como de costume em qualquer atendimento.
Fonte: GI/PI