sexta-feira, 15 de julho de 2016

Após ataque na França, Brasil vai rever plano de segurança para os Jogos Olímpicos no Rio

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, afirmou, nesta sexta-feira, que o plano de segurança para a Olimpíada do Rio será revisado após o atentado desta quinta-feira em Nice, no Sul da França que deixou mais de 80 mortos. Segundo ele, a população terá de trocar “um pouco de conforto por muita segurança”.
Em entrevista no Palácio do Planalto, o general reafirmou que o Brasil está pronto para os Jogos, e informou que o presidente interino, Michel Temer, convocou uma reunião para a tarde desta sexta-feira com os ministros da Justiça, GSI e Defesa. Temer está em São Paulo.
— Vamos ter que revisar procedimentos, ampliar barreiras, as revistas, vamos ter que ter uma segurança muito mais rígida. Infelizmente isso pode ser uma dificuldade a mais e um transtorno para as pessoas, mas é para o bem e para a segurança delas — afirmou o ministro da Defesa Raul Jungmann, em entrevista à rádio CBN.
O general Etchegoyen afirmou que quem irá aos Jogos Olímpicos no Rio e em outras capitais onde haverá jogos de futebol da Olimpíada poderá ter que passar por mais revistas pessoais ou fazer caminhadas mais longas por conta de vias interditadas para veículos. Ele disse que a Abin está preparada para, se for necessário, fazer comunicados à população nos próximos 21 dias – até a abertura dos Jogos.


O ministro do GSI acrescentou que um oficial de inteligência da Abin está a caminho da França para receber mais informações do serviço de inteligência local. Além disso, o embaixador brasileiro em Paris está solicitando essa reunião. Devido ao atentado nesta quinta-feira em Nice, o presidente francês, François Hollande, prolongou estado de emergência por mais três meses.
Ele explicou que o ataque da noite desta quinta na França mostrou às autoridades que um caminhão foi usado “como uma arma terrível”:
— O primeiro grande ensinamento da tragédia de ontem é a simplicidade logística. Um caminhão não é uma arma. Não se trafica um caminhão. Não se atravessa a fronteira escondendo um caminhão. Enfim, foi usado como uma arma terrível — declarou o ministro, e completou: — Estamos revisando o planejamento não porque esteja mal feito, mas porque temos o dever, por causa do que aconteceu, de identificar lacunas.
Etchegoyen minimizou a informação de um suposto plano de atentado do Estado Islâmico, envolvendo um brasileiro, contra a delegação da França durante a Olimpíada. A informação foi divulgada nesta quarta-feira pelo site da Assembleia Nacional do país. Em entrevista na quarta, o diretor-geral da Abin disse desconhecer o plano de atentado. O ministro do GSI disse que não há dados concretos sobre o caso, mas “hipóteses e especulação”.
— Nós estamos tentando construir esse histórico, mas a partir de dados concretos. O único que existe nesse momento é um vazamento na página da Assembleia Nacional Francesa. Existem muitas hipóteses. Qualquer delas nesse momento é uma especulação e preferimos tratar com dados mais concretos — declarou o general Etchegoyen.
Nos últimos 17 dias, três atentados terroristas causaram cerca de 150 mortes na Turquia, Bangladesh e França. Em 28 de junho, mais de 40 pessoas morreram após duas explosões no aeroporto de Istanbul, na Turquia, e cerca de 147 ficaram feridas. Quatro dias depois, em 2 de julho, terroristas ligados ao EI invadiram um restaurante frequentado por estrangeiros em Daca, em Bangladesh. Vinte reféns morreram. Nesta quinta, pelo menos 84 foram mortos em Nice.
A Olimpíada começa no dia 5 de agosto.
Plano de atentado no Rio
Nesta quinta-feira, Raul Jungmann afirmou, em entrevista à rádio CBN, que o governo brasileiro estava cobrando dos serviços de informação e de inteligência da França que confirmem ou desmintam a notícia de que um brasileiro do Estado Islâmico planejava um atentado contra a delegação francesa durante a Olimpíada do Rio. A informação foi divulgada pelo jornal “Libération”, nesta quarta-feira, O periódico teve acesso a um inquérito parlamentar. Segundo a publicação, o conteúdo foi revelado durante uma audiência a portas fechadas em 26 de maio com o chefe da direção de informações militares (Direction du Renseignement Militaire), o general Christophe Gomart, em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre os atentados de 2015, na França.
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