quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Queda de avião da Chapecoense foi causada por falta de combustível, diz investigador

O áudio diz: “Solicitamos prioridade para proceder à pista. Solicitamos prioridade para proceder ao localizador. Temos problemas de combustível, agora temos falha elétrica total, ajuda, orientação, orientação, orientação para proceder à pista. E aí a coisa parou. Nós começamos a chorar no avião. Nós ficamos muito mal e aí mesmo escutamos a torre também chamando o avião e a controladora chora, chora e chora pela frequência. Responda, responda e não respondia”.
Segundo o jornal El Tiempo, de Bogotá, o copiloto Juan Sebastián Upegui, da Avianca, será chamado pelas autoridades. O jornal diz também que a empresa não confirma essa versão e que se trata de um áudio pessoal e não corporativo. Ele estava em um dos quatro aviões que se aproximavam do aeroporto de Medellín, pouco antes do acidente.
Além do da LaMia, havia dois aviões vindos de Bogotá e um quarto da companhia Viva Colômbia, que estava indo para o Caribe e foi desviado para Medellín, porque o piloto detectou um vazamento de combustível. Ele pediu prioridade de pouso e os controladores atenderam o pedido. Enquanto isso, o avião da LaMia voou em órbita, como mostra a imagem do site Flight Radar 24. Duas brasileiras que estavam no voo da Viva Colômbia conversaram com a equipe do Jornal Hoje pela internet. Elas confirmam que o comandante avisou que o avião em que estavam teve problemas. Elas viajaram de férias para a Colômbia e estão na ilha de Saint Andrés. 
Só vai dar para saber o que realmente aconteceu no voo que levava o time da Chapecoense depois que as caixas-pretas do avião forem analisadas. Mas com as informações que vão chegando aos poucos, os especialistas começam a ter uma ideia do que provocou a queda do avião e a hipótese da falta de combustível ganha força.

O Avro RJ 85, de fabricação inglesa, estava em uso há 17 anos e oito meses. Poderia voar a uma altitude de até 10,6 mil metros e conseguia percorrer três mil quilômetros de distância, com capacidade de combustível para ficar no ar cerca de quatro horas e meia.
Calculando a rota entre Santa Cruz de La Sierra e Medellín, o voo deveria percorrer 2.985 quilômetros, quase o limite da autonomia. Quando chegou em Medellín, o avião já tinha voado quatro horas e 15 minutos. Tinha só 15 minutos de reserva, pouco demais, para o especialista em aviação, Jorge Sucupira: “Tem que ter previsão de chegar no aeroporto, se não puder chegar por qualquer motivo, alternar o aeroporto que designou como alternativa e lá chegando tem que voar mais 30 minutos”.

Outra peça do quebra-cabeças é exatamente o plano de voo. O piloto poderia ter feito uma escala para reabastecer em Cobija, extremo norte da Bolívia, e dali seguir para Medellín, na Colômbia. Ou até fazer um pouso na capital Bogotá, cidade que inclusive estava mais próxima.
Em uma gravação feita pouco antes da viagem, a tripulante Sisy Arias chega a fazer confusão entre as cidades. A falta desse plano de voo mais seguro, com reabastecimento é apontada como uma grande falha. A pane elétrica citada pelo piloto quando pede prioridade para pousar, pode, segundo os especialistas, ter sido causada pela falta de combustível que gera também falta de energia.
A outra peça do quebra-cabeças é a empresa que opera a aeronave. Quem presta esse tipo de serviço deve seguir rigorosos padrões de segurança. Conversas entre pilotos e gravações que se espalharam nas redes sociais questionam a maneira de trabalhar da LaMia.
Por telefone, a LaMia confirmou que a aeronave que levava o time da Chapecoense era a única da frota e quem pilotava era Miguel Quiroga, de 36 anos. Ele era boliviano, morava com a família no Acre e era sócio da pequena empresa que pretendia decolar transportando equipes de futebol, mas que vinha sofrendo críticas por trabalhar no limite.
“Juntando as informações todas, vimos que esse cidadão vinha com uma prática usual de chegar no limite. O hangar reclamava, ele era mal pagador e em aviação não existe economia. São vidas humanas que estão tão em risco”, afirma Jorge Sucupira.
Imagens feitas com celular a partir de um helicóptero mostram a região montanhosa onde o avião caiu. De um lado da montanha ficou uma asa do avião. Tudo indica que esse primeiro impacto foi tão forte que o avião capotou para outro lado, onde estão a maior parte dos destroços e algumas das respostas que o mundo inteiro espera.