.Publicidade

.Publicidade

domingo, março 19, 2017

Após investigação frigoríficos perdem R$ 5,9 bilhões em valor de mercado

Ações da JBS desabam 10,79%, e as da BRF recuam 7,25%. Mesmo sem ser citada, Marfrig cai 2%.
As ações dos três frigoríficos que fazem parte do principal índice de ações brasileiro, o Ibovespa, perderam em um só pregão R$ 5,9 bilhões do seu valor de mercado. Agora, juntas, JBS, BRF e Marfrig valem R$ 62,9 bilhões. Os papéis dessas empresas, em especial das duas primeiras, caíram com força, em consequência da deflagração da Operação Carne Fraca. Foram as duas maiores quedas do índice, que encerrou o pregão com perdas de 2,39%, aos 64.209 pontos.
Essa operação contra os frigoríficos acabou contaminando a Bolsa. Dessa forma, vemos esse movimento de correção, já que o tom está mais negativo — avaliou Ignacio Crespo, economista-chefe da Guide Investimentos.
Para efeito de comparação, o montante perdido pelas três equivale ao valor de mercado da AES Tietê e supera o de empresas como Ecorodovias e Estácio Participações.
O maior recuo em valor de mercado ocorreu nos papéis da JBS. Na quinta-feira, a empresa valia na Bolsa R$ 32,7 bilhões. Ao final do pregão de ontem, o montante era de R$ 29,3 bilhões, uma perda de quase R$ 3,5 bilhões de uma só vez, fruto do recuo de 10,59% na cotação de suas ações — cada uma vale agora R$ 10,72. No mercado americano, os recibos de ações (ADRs, na sigla em inglês) registraram um tombo de 9,26%.
O valor de mercado da BRF também teve forte queda: caiu R$ 2,4 bilhões, para R$ 30,1 bilhões. As ações desabaram 7,25%, para R$ 37,10. Nos ADRs, a perda foi de 7,73%.
A Marfrig, mesmo sem ser citada na operação, não escapou do mau humor dos investidores. Seu valor de mercado passou de R$ 3,6 bilhões para R$ 3,5 bilhões, devido à queda de 2,09% de suas ações.

SEM AVERSÃO A RISCO
O derretimento dos papéis dos frigoríficos atingiu, indiretamente, as ações mais negociadas da Bolsa. No caso da Petrobras, as preferenciais (PN, sem direito a voto) tiveram desvalorização de 4,01%, cotadas a R$ 13,16, e as ordinárias (ON, com voto) recuaram 3,68%, a R$ 13,85, apesar de os preços do petróleo terem ficado estáveis.
Apesar de o tombo das ações de frigoríficos ter contaminado toda a Bolsa, a aversão ao risco em relação ao Brasil não piorou no mercado internacional. Com isso, o dólar comercial manteve a trajetória de queda, caindo 0,44%, a R$ 3,102. Já os credit default swaps (CDS, espécie de seguro) recuaram pelo terceiro dia, aos 213 pontos centesimais.
Para Crespo, da Guide, esses são sinais de que a operação da Polícia Federal não afetou a avaliação dos investidores em relação ao Brasil:
— A queda das ações foi um movimento pontual, de ajuste dos investidores, mas não de aversão ao risco.
No acumulado da semana, a moeda americana acumulou desvalorização de 1,37%. Jefferson Luiz Rugik, analista da Correparti Corretora de Câmbio, vê tendência de queda a curto prazo, devido ao fluxo de recursos para o país. A safra de soja, os recursos das concessões dos aeroportos e a perspectiva de novas ofertas de ações tendem a trazer mais dólares para o país.Fonte: O GLOBO