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domingo, abril 23, 2017

Sarna se espalha pelos presídios do Piauí

                   A transmissão da sarna ocorre por contato com pessoas
Os presos da Penitenciária Irmão Guido, de Teresina, e da Penitenciária Regional de Esperantina foram atingidos por surto de sarna (escabiose) e os agentes penitenciários e familiares dos detentos correm o risco diariamente de serem contaminados pelo ácaro causador da doença de pele.
 “A maioria dos presos da Penitenciária Irmão Guido e da Penitenciária Regional de Esperantina estão contaminados pela escabiose. Os agentes penitenciários e os familiares dos detentos correm diariamente o risco de serem contaminados pelo ácaro causador da doença”, falou o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Estado do Piauí (Sinpoljuspi), José Roberto, que fez a denúncia com várias fotografias de presos das duas penitenciárias com erupções nas peles dos detentos.
Alguns detentos estão com muitos ferimentos na virilha, testículos e pênis e como a irritação nas partes íntimas alguns presos correm o risco de perderem órgãos sexuais. Uma Comissão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) seccional do Piauí vai procurar na segunda-feira o secretário estadual de Justiça, Daniel Oliveira, para que tome providência para o controle do surto de sarna nas penitenciárias piauienses.
José Roberto disse que a escabiose é popularmente conhecida como sarna, pereba, curuba, pira ou quipá. Segundo ele, a escabiose humana é uma doença de pele causada por um ácaro, o Sarcoptes scabiei. A transmissão da sarna ocorre por contato com pessoas - animais não transmitem ao homem, que já tem a doença e também compartilhando roupas, toalhas e lençóis infectados com o parasita causador. Pode demorar de 1 a 42 dias para se manifestar após o contágio, mas o ácaro gasta apenas 2,5 minutos para perfurar e penetrar a pele.


Não há preferência por sexo ou raça. Costuma ser mais frequente em crianças e adolescentes, pessoas com higiene pessoal e domiciliar precária (o que facilita a proliferação dos parasitas) e ambientes aglomerados como creches, escolas e hospitais. José Roberto falou que o principal sintoma da doença é a coceira, que em geral é intensa e bastante incômoda, sendo mais comum à noite por ser o período de reprodução e deposição dos ovos. Aparecem pequenas pápulas (“bolinhas”) da cor da pele ou acinzentadas com crostas. Muitas vezes, o paciente coça causando escoriações e usualmente é nesse tipo de lesão que o parasita se encontra.
Os locais mais comuns são os mais quentes do corpo: as dobras do corpo (entre os dedos, axilas, dobras dos braços), atrás dos joelhos, orelhas, cintura (em volta do umbigo principalmente), nádegas, genitais, pescoço, pés e embaixo das mamas (também ao redor dos mamilos). Em crianças muito pequenas (que não sabem coçar), existem lesões nos tornozelos (por esfregar um pé no outro) e casos menos comuns com queixas em couro cabeludo, palma e planta dos pés. O ato de coçar pode levar bactérias para as lesões, resultando em infecção, o que piora o quadro.
O diagnóstico é basicamente clínico, ou seja, feito visualmente em consulta com seu médico de família, que identificará lesões nos locais característicos desta doença. Pode ser feita identificação do parasita através de exame, raspando as lesões, mas só é indicado em casos específicos. Segundo José Roberto, é fundamental atentar para a necessidade de maior higiene pessoal e limpeza do ambiente. Existem medicações específicas para o alívio das coceiras e devem ser indicadas somente por um médico. As roupas de uso diário devem ser trocadas todos os dias, colocadas para lavar, secadas ao sol e/ou passadas com ferro (não é necessário fervê-la). Travesseiros e almofadas também devem ser colocados ao sol ou secados com secador. Todos da casa usualmente são também tratados, mesmo que não cocem, para evitar uma nova contaminação.
“É importante não usar roupas pessoais, roupas de cama ou toalhas emprestadas, evitar aglomerações ou contato íntimo com pessoas de hábitos higiênicos duvidosos”, falou. Há formas clínicas da doença que podem se tornar graves se não tratadas. Em pessoas com bons hábitos higiênicos, estas doenças podem ser confundidas com outras doenças que causam coceira. Os produtos a serem utilizados na pele devem ser muito bem indicados porque podem provocar irritação muito grande na pele e/ou não tratar completamente.
Em alguns casos, a depender da avaliação clínica do seu médico de família, o tratamento será também com comprimidos. Ele que indicará o tratamento ideal para cada caso. A escabiose ocorre em qualquer lugar do mundo e está vinculada a hábitos de higiene. Geralmente acontece em surtos em comunidades fechadas ou grupos familiares. Por isso, toda a família e/ou parceiros devem ser tratados simultaneamente para evitar a reinfestação. É importante avisar aos demais familiares, creche, escola e outros ambientes de convivência para evitar surtos comunitários.
Fonte: Com informações da Ascom