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segunda-feira, maio 22, 2017

Comandante da PM diz que concurso não será anulado, mas prova será reaplicada

Doze pessoas foram presas em flagrante por fraude ao concurso da Polícia Militar. Dez pagaram fianças de um a dois salários mínimos e já estão soltas.
O comandante da Polícia Militar do Piauí, coronel Carlos Augusto Gomes de Souza, afirmou em entrevista coletiva que o concurso da PM realizado neste domingo (21) não será anulado. “O concurso não será nulo por completo. Os inscritos serão os mesmos, não vamos abrir novas inscrições”, disse o coronel.
Coronel Carlos Augusto ressaltou que concurso da PM-PI não será anulado; apenas a primeira etapa será aplicada novamente (Foto: Cícero Portela / O DIA)
Ainda segundo o coronel, a primeira etapa do concurso, que corresponde à prova objetiva, será reaplicada. O comandante confirmou que a prova teve algumas questões que foram vazadas. “O que houve de fato é que a prova não vazou por completo. Algumas questões da prova de português, e um suposto gabarito, que não foi confirmado [que vazaram]”, disse.
O novo cronograma com as novas datas da prova objetiva e das outras quatro etapas do concurso devem ser divulgadas até a próxima semana, segundo o comandante-geral da PM-PI.
O secretário de Segurança Pública, Fábio Abreu, disse que o Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Greco) irá investigar como ocorreu o vazamento das questões. “A investigação corre em paralelo à renovação da divulgação da nova data da prova. Só temos indícios no momento, mas vamos chegar à autoria do crime com toda a certeza”, disse o secretário.

Fábio Abreu, afirma que, apesar de ter sido comprovado o vazamento de questões da prova antes da aplicação, por enquanto a Polícia não identificou a participação de funcionários do Nucepe (Núcleo de Concursos e Promoção de Eventos), organizadora do evento, vinculada à Universidade Estadual do Piauí (Uespi). 
Doze pessoas foram presas, mas dez delas já foram liberadas após o pagamento de fianças, cujos valores variaram de um a dois salários mínimos, conforme a gravidade de casa caso. 
Dois dos presos, entretanto, não tiveram fiança arbitrada, pois a Polícia identificou que eles já tinham passagem pela prática do mesmo crime. De acordo com o delegado Kleydson Ferreira, do Greco, todos foram indiciados por fraude a concurso público. 
Kleydson afirma também que, entre os indiciados, alguns já tinham sido presos em outras ocasiões. "Nós fizemos um trabalho, ao longo dos últimos dois anos, que resultou na prisão de várias pessoas que tinham fraudado concursos passados. Justamente, isso é a prova de que a Polícia trabalha de forma preventiva e, posteriormente, com a ocorrência de novas fraudes, a gente também atua, fazendo a investigação e identificando quem praticou as fraudes", relata o delegado.
'Pescas' e 'colas' também podem levar candidato à prisão
O delegado Kleydson ressaltou que nem todos os candidatos presos tiveram acesso às questões da prova de forma antecipada. Alguns foram flagrados pelos fiscais praticando as chamadas "pescas" ou com "colas".
Apesar de serem fraudes menos graves, que não comprometem a lisura do certame, o delegado Kleydson afirma que todas as pessoas flagradas cometendo essas irregularidades também podem acabar presas.
O delegado Willame Moraes, coordenador-geral do Greco, reforça que existem várias modalidades de fraudes a concursos públicos, e que, por esta razão, a Polícia tem procurado atuar em diversas frentes, de maneira a identificar todas as pessoas que, eventualmente, tentarem burlar os certames, quaisquer que sejam os métodos utilizados.
"Ontem nós flagramos duas modalidades de fraude. Uma menos grave, que é aquela que ocorre em praticamente todo concurso, que são as chamadas 'colas', e outra mais grave, que se trata do vazamento de questões da prova, que coloca em xeque a lisura do concurso. Por esta razão, ficou decidido pela anulação dessa etapa realizada no domingo, e novas provas serão aplicadas", afirmou Willame Moraes.
Fonte: Portal ODIA