terça-feira, maio 23, 2017

Polícia investiga gráfica que imprimiu provas aplicadas no concurso da PM

A Polícia Civil está investigando se a empresa contratada pelo Nucepe para imprimir as provas do concurso da Polícia Militar tem alguma ligação com o vazamento das questões. Segundo o comandante da PM, coronel Carlos Augusto, o que está claro até o momento é que não há relação da fraude com o Nucepe.
“Eu queria deixar bem claro que não há nenhuma relação de fraude pelas investigações internamente no Nucepe. Não houve vazamento de gabarito. Pode ter alguém de dentro, mas eles têm uma empresa terceirizada que faz a impressão das provas, por exemplo. Embora seja dentro do Nucepe, embora seja tudo filmado, mas é algo que só a Polícia Civil pode elucidar essa questão”, afirmou.


Segundo o comandante, embora haja prejuízo, as provas serão refeitas quantas vezes por preciso. “O importante aqui é para os 32 mil candidatos que estudaram e se preparam para o concurso, há um prejuízo para eles, mas o prejuízo maior seria continuar com a suspeição de fraude logo no início. Temos que ter essa coragem, já que nós não podemos receber essas pessoas e ficar na dúvida: será se passou ou fraudou? Quem apostar que vem vai entrar na polícia por fraude, nós vamos repetir essa prova e outras se for o caso. Se for o caso também, cancelaremos de vez o concurso, mas não vamos permitir”, destaca.
O delegado Kleydson Ferreira - que investiga a fraude - descartou o vazamento de gabarito. As investigações apontam que vazaram questões de português. Ele ressalta que a maioria dos presos estava inscrito no certame e eram de fora do Estado. 
"Houve vazamento de parte das provas. A grande maioria dos presos são candidatos, estavam inscritos e eram de fora do Estado do Piauí. Essas pessoas adquirem equipamentos modernos que passam por detectores de metal. Isso sempre vai ocorrer e não põe em questão a lisura do concurso. Contudo, a polícia tem mecanismos para descobrir quem se utilizou de troca de mensagens, celulares para ter êxito de forma indevida", declarou. 
Ao todo, 12 pessoas foram presas e, dessas, duas são apontadas como responsáveis pelo vazamento. Dez já foram liberadas após pagamento de fiança.
O coordenador do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Greco), Willame Moraes, reforça que ocorreram duas modalidades de fraude no certame da PM. 
"Houve aquela em que a lisura do concurso não foi colocada em 'xeque', bem como o contrário. Tanto é que a etapa será repetida. A principal e mais grave foi aquela que maculou o concurso. Estamos trabalhando para que os candidatos consigam aprovação de forma lícita. Pegamos fraudes que ocorrem em qualquer local, até em escolas primárias, mas também aquelas mais elaboradas", disse o coordenador, garantindo que se algum agente público tiver envolvido, vai ser pego.
"Se houver participação de agente público, vamos identificar e prender. O que temos até o momento são indícios fortes de vazamento. As investigações poderão apontar os autores. O concurso foi realizado ontem, ainda estamos no rescaldo. As investigações continuam e se for identificado que existe agente público nessa organização criminosa, ele será ouvido e preso", declarou.
Para a reaplicação das provas, serão utilizados novos recursos de segurança. Um novo cronograma deve ser divulgado nos próximos 30 dias. 
cidadeverde.com