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sábado, dezembro 09, 2017

As últimas asneiras do prefeito Mão Santa sobre o tratamento do câncer em Parnaíba

As asneiras pronunciadas pelo Prefeito de Parnaíba foi o tom patético e arteiro da solenidade da qual participou como convidado com a presença do Ministro da Saúde, Secretário de Saúde do Estado e autoridades em geral.
A infelicidade do Prefeito ao tecer comentários afirmando que “Parnaíba não tem tradição no tratamento de câncer e que os recursos destinados deveriam ser carreados para outros setores”, nos revela duas coisas e nos remete a uma análise crítica sobre as ‘políticas públicas de saúde no âmbito da gestão municipal’ e a incapacidade gerencial da municipalidade em oferecer aos habitantes uma saúde pelo menos básica:
i) Há quase um ano como gestor municipal o Prefeito não se dignou a oferecer a população uma assistência em saúde na quantidade e qualidade demandada pela população. As unidades de saúde sob responsabilidade do município apresentam baixa resolutividade quanto a efetividade dos serviços e a satisfação dos usuários.
Os problemas a cada dia se agigantam e não se percebe o interesse político em solucioná-los: falta de profissionais nos horários de trabalho, equipamentos ineficientes e falta de medicamentos são itens que compõem o rol de carências do sistema.
O município recebe em dia mensalmente os recursos financeiros das transferências que lhes são constitucionalmente assegurados além de, por lei, ter que destinar à área de saúde no mínimo 15% da sua receita corrente líquida.
Fato é que a saúde proporcionada pela municipalidade é de baixa qualidade.
ii) O outro fato diz respeito ao que disse o Prefeito na solenidade já mencionada aqui. Ora, dizer que Parnaíba não precisa de tratamento para as pessoas acometidos pela grave moléstia é desconhecer totalmente e implicações físicas, emocionais, sociais e econômicas que a doença submete os pacientes e suas famílias.
Pasmem, caros leitores, isso foi dito por um profissional da medicina de “mãos santas ou não”.
Num contumaz momento de inlucidez o Prefeito, talvez por um gesto de desgosto e ódio provocado pela felicidade do Secretário de Saúde Florentino Neto e de todos, desperdiçou suas palavras e deixou todos os presentes pasmados com tamanho delírio.
Amigos, eu já tive câncer e sei o quanto foi doloroso para mim e para minha família. No ano passado perdi minha esposa que inesperadamente e precocemente teve sua vida terrena ceifada por essa doença covarde e silenciosa. Outros vários familiares e amigos se despediram para o plano eterno levados da mesma forma.
Todos os gastos dispendidos para os tratamentos foram assumidos pessoalmente, pouquíssima parte custeada por planos de saúde.
Agora pergunto! E as inúmeras pessoas que passaram toda uma vida pagando a Assistência e Previdência Social Pública e dependem de um tratamento custoso como o de câncer?; que são humilhados nas filas e plantões de espera por uma consulta/tratamento e, que têm de se deslocar com acompanhantes para outras cidades em busca de recursos médicos?
É muita asneira dizer o que foi dito para um Ministro da Saúde e tantas outras autoridades.
Mas, agradeçamos a Deus que iluminou homens de boa vontade pela iniciativa de trazer para nossa cidade as condições para um tratamento mais humano para os pacientes e tranquilidade para seus familiares.
Agradeçamos e incentivemos os jovens médicos parnaibanos que estão iniciando uma revolução na medicina local com muito profissionalismo e dedicação, sem se interessarem por motivações políticas.
E ao Prefeito ofereço para leitura o texto abaixo.
TRATAMENTO DO CÂNCER
Célia da Silva Ulysses de Carvalho*
Publicado na Revista Brasileira de Cancerologia 2008; 54(1): 97-102
Este artigo tem por objetivo trazer uma reflexão sobre as repercussões de uma doença como o câncer para as famílias dos enfermos. Ela traz consigo uma série de implicações físicas, emocionais, sociais e econômicas para a vida dos sujeitos enfermos e sérios comprometimentos para suas famílias
No cotidiano da assistência aos pacientes com câncer e seus familiares, verifica-se que essa experiência é muito complexa e muito sofrida, que não se explica apenas na doença em si. Significa, muitas vezes, mudanças radicais na vida dessas pessoas alterando, em algum nível, seus papéis familiares e sociais. O quadro da doença também deve ser considerado na questão do grau de sofrimento, ou seja, quanto mais avançada maior é o sofrimento do paciente e dos demais membros da família. As demandas colocadas às famílias se ampliam, uma vez que aumenta a dependência e a necessidade de cuidados dos pacientes
Os usuários do Instituto Nacional de câncer (INCA) são, em sua maioria, provenientes das classes sociais menos favorecidas. Esta afirmativa se pauta no Registro Hospitalar de Câncer (RHC) /INCA 2000/2003, no qual se verifica que 62 % dos pacientes (faixa etária acima de 15 anos) não alcançam sequer o primeiro grau completo. Na literatura, é bastante estudada a correlação entre a variável baixo nível de escolaridade e condições socioeconômicas precárias. Para esses segmentos da população, o impacto da doença é ainda mais grave, porque esses usuários e seus familiares já se encontram numa condição de vulnerabilidade social, enfrentando dificuldades de acesso a bens e serviços para satisfação de necessidades básicas. De acordo com Cárceres, entende-se vulnerabilidade social como:
[...] a relativa desproteção na qual se pode encontrar um grupo de pessoas (por exemplo, migrantes, pessoas pobres, grupos de jovens, mulheres, as minorias sexuais, as pessoas com menor nível educativo e outros grupos que vivem à margem do sistema) frente a potenciais danos de saúde e ameaças à satisfação de suas necessidades básicas e seus direitos humanos, em razão de menores recursos econômicos, sociais e legais.
O impacto da doença para o paciente e seus familiares precisa ser compreendido, ou seja, devem ser consideradas as condições emocionais, socioeconômicas e culturais dos pacientes e de seus familiares, visto que é nesse contexto que emerge a doença, e é com essa estrutura sociofamiliar que vão responder à situação de doença. Assim, pretende-se chamar a atenção dos profissionais que atuam em oncologia quanto à necessidade de voltarem sua atenção também à família, considerando o sofrimento desta em toda a sua complexidade, atentando para a singularidade da experiência da doença de cada paciente/família, sem perder de vista o caráter coletivo das demandas apresentadas, na perspectiva da qualidade da assistência prestada.
(*) Assistente Social do Instituto Nacional de Câncer. Mestre em Serviço Social pela Faculdade de Serviço Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).
Por Renato Santor Júnior