terça-feira, março 13, 2018

Prefeitura de Parnaíba abandona Memorial de Humberto de Campos no Casarão Simplício Dias

As peças que compõem o Memorial do escritor Humberto de Campos, inaugurado em Parnaíba em agosto de 2010, no aniversário da cidade, encontram-se hoje abandonadas numa das salas do Casarão Simplício Dias da Silva, sem nenhuma vigilância ou a presença de alguém que possa dar informações a respeito do acervo do escritor maranhense, que dedicou parte de sua vida também à cidade de Parnaíba.
Adquiridas numa parceria da Academia Parnaibana de Letras com a Prefeitura Municipal, que repassou os recursos financeiros necessários para a aquisição das peças que compõem o Memorial”, a ideia inicial era que se firmasse um convênio, através do qual a Prefeitura cederia um funcionário para trabalhar no memorial e, assim, permitir visitações em todos os turnos.
 Mas tal não aconteceu. E hoje não existe uma pessoa sequer para dar informações e o acesso ao acervo pode ser feita por qualquer pessoa que queira adentrar o local. Talvez por isso algumas peças já foram subtraídas. Entre o material exposto à visitação estão o fardão e o espadim, utilizados pelo escritor na Academia Brasileira de Letras, originais de crônicas, duas bengalas e a última máquina de datilografia por ele utilizada.
À época da inauguração o então presidente da Academia Parnaibana de Letras, Pádua Santos, disse que o memorial tinha grande valor para a cultura piauiense, tendo em vista a identificação do escritor Humberto de Campos com a cidade de Parnaíba, muito citada em suas obras. “Eu considero esta a obra cultural do século em Parnaíba”. Ele disse também, na época, ter recebido manifestações de parabéns de diversas personalidades brasileiras do segmento cultural. Humberto de Campos é patrono de uma cadeira na Academia Parnaibana de Letras, ocupada pela acadêmica Maria do Amparo Coelho dos Santos, que fez diversas viagens ao Rio de Janeiro para localizar os pertences do escritor. 
Todo o trabalho, as despesas e as manifestações da época estão escondidos hoje numa sala mal ventilada, sem serventia alguma, comprovando o pouco caso que Parnaíba faz de sua história. O Cajueiro de Humberto de Campos, que é outro exemplo de abandono, é também um local que deveria ser um ponto de visitações turísticas, mas é protegido por um cerca, que impede aproximações.
TEXTO: BERNARDO SILVA
FOTOS: CAMILA NETO