quarta-feira, outubro 31, 2018

Ciro afirma que foi alvo de traição do PT e não vai mais apoiar o partido

Em entrevista à Folha, Ciro Gomes (PDT), que concorreu nestas eleições à Presidência da República, falou pela primeira vez após a vitória de Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno contra Fernando Haddad (PR). Na ocasião, esclareceu que não declarou apoio ao petista e que não pretende mais estar ao lado do Partido dos Trabalhadores. Entrementes, Ciro explica que foi alvo de uma traição de Lula.
Gomes criticou o fato de ter sido convidado para ser um possível vice de Lula no lugar de Haddad, o que para o mesmo foi uma afronta, assim como as tentativas do PT de impedir o apoio do PSB a ele.
Segundo ele, a eleição do candidato do PSL foi uma resposta irracional dos eleitores aos graves casos de corrupção protagonizados pelo PT, onde Bolsonaro se lançou em um ambiente propício. O que por conseguinte, vai levar os petistas a rotular os antagônicos de fascista, o que Ciro garante que não vai fazer.
O pedetista argumenta que sua viagem à Europa aconteceu em um momento em que se viu incapaz, após ficar em terceiro lugar no primeiro turno. Ciro negou veementemente que esteve inerte, mas reiterou que não andará com os Trabalhadores.
Ciro afirma que Lula foi convencido pelos aliados a tentar concorrer nas eleições, o que ele considerou uma farsa. Para tanto, ele foi chamado para fazer parte, como vice do ex-presidente, e se recusou. Perguntado se não apoiar o PT impossibilitaria a união dos partidos de esquerda, Gomes disse que tornar a esquerda homogênea seria uma grande oportunidade para os Trabalhadores, apenas. Ele prefere continuar na esquerda sem se envolver em corrupção, e pretende conquistar um novo espaço.
Sobre a chegada de Jair Bolsonaro à presidência e a possível ameaça à imprensa, Ciro considera que não há intimidação à mídia, mas criticou a imprensa interessada em dinheiro, que foi a causadora da eleição do candidato do PSL. Ele ainda cita que as afirmações de Jair direcionadas à Folha não foram uma coação e que o veículo pode se autodefender.
Fonte: 180Graus