sábado, novembro 10, 2018

Piauiense participa de cirurgia de separação de gêmeas siamesas

Piauiense participa de cirurgia de separação de gêmeas siamesasO trabalho envolveu mais de 50 profissionais do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. A cirurgia foi inédita no Brasil e as meninas passam bem
O teresinense Romilto Pacheco, formado em medicina pela Universidade Federal do Piauí (Ufpi), participou da equipe que envolveu mais de 50 profissionais do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto para a separação de duas gêmeas siamesas. A cirurgia foi inédita no Brasil e as meninas passam bem.
Maria Ysabelle e Maria Ysadora agora podem ser felizes individualmente graças ao trabalho da brilhante equipe, coordenada pelo médico Hélio Rubens Machado.
Romilto Pacheco conta um pouco da história das meninas, que são naturais do Ceará. “Elas nasceram em Patacas, há 35 km de Fortaleza. A gravidez foi normal até o sexto mês, mas no oitavo foi realizado o diagnóstico. Elas foram encaminhadas a um neurocirurgião Eduardo Jucá, em Ribeirão Preto. Ele as acompanhava no Ceará. Elas passaram a ser atendidas no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto desde janeiro para planejar a separação”, relata.
A partir daí, uma série de cirurgias. “A primeira foi feita em fevereiro, quando elas tinham um ano e sete meses. Hoje elas têm dois anos e quatro meses e estão muito bem, com uma boa condição neurológica. Ainda não temos como prever a longo prazo, mas vamos manter a reabilitação para aproveitar ao máximo o potencial delas”, frisa o médico.
Romilto está orgulhoso de participar do feito inédito no Brasil. “Sem dúvida temos muitos motivos para nos orgulharmos. O envolvimento da equipe chamou minha atenção. Além do envolvimento e as discussões multidisciplinares, coroada com a separação definitiva das gêmeas. Foi as 9h09 do dia 27 de outubro. Como piauiense, é uma grande satisfação fazer parte deste momento histórico para a medicina do país, sendo uma cirurgia inédita”, explica.
O procedimento cirúrgico marca um novo capítulo da especialidade médica no Brasil, que teve baixo custo relativo. “A importância dessa cirurgia para a neurocirurgia brasileira é que expande horizontes para novos desafios. O ineditismo é o que mais chama atenção. O Brasil tem um grande potencial. Fora do Brasil esse procedimento custa próximo de R$2,5 milhões, aqui fizemos com recursos do SUS”, exemplifica Romilto Pacheco.
O processo de separação das gêmeas foi bastante complexo. “A maior dificuldade era lidar com a trama de vasos compartilhados entre as duas crianças. O risco era de desnutrição de uma delas. Foram cinco etapas para aumentar a chance de reorganização dos vasos. A mais longa foi a última, com 20h de cirurgia. Nós utilizamos neuronavegação cirúrgica, modelos em 3D e várias simulações e reuniões. Contamos com 52 profissionais coordenados pelo Dr. Hélio Rubens Machado”, finaliza o médico.
Fonte: Meio Norte