sábado, janeiro 05, 2019

Após ataques, Força Nacional começa a atuar neste sábado no Ceará

As ações criminosas continuam e as facções não dão sinal de trégua. Em contrapartida, o Estado aguarda reforços federais e reúne todas as suas forças para o confronto. As ruas de Fortaleza, Região Metropolitana e Interior viraram cenário de guerra. Há ônibus e equipamentos incendiados, tiroteios, medo e incerteza por todos os cantos.
Os primeiros reforços federais começaram a chegar. Na noite de ontem, por volta das 20h, dezenas de viaturas chegaram ao Ceará, trazendo homens da Força Nacional. Parte do reforço veio do Rio Grande do Norte e de Aracaju. O comboio se deslocou ao Centro de Formação Olímpica, onde os agentes devem ficar alojados pelos próximos dias. 
A ordem repassada é que cada homem da Força Nacional, ao chegar, atue imediatamente para combater a violência no Estado. Outros 88 homens chegaram de Brasília, por via aérea. Parte do desembarque aconteceu na Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer). A expectativa é que durante a última madrugada outras 23 viaturas também desembarcassem.
Reforço
O Governo aguarda por, ao todo, 1.500 militares das Forças Armadas Brasileiras (FAB), 500 policiais da Força Nacional e 80 agentes penitenciários da Força de Intervenção Penitenciária (FIP). A PRF garantiu a chegada de um helicóptero e de 34 policiais rodoviários federais para reforçarem as estradas do Ceará.
“Todos estamos unidos. Forças federais, estaduais e municipais. Não recuaremos em nenhuma ação realizada! Não adianta! O que for feito nas ruas, não vamos recuar. Nós não vamos deixar de avançar no sistema penitenciário e nas ruas. É esse o recado que a gente tem a dar”, anunciou o secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa, após reunião com Secretaria da Administração Penitenciária (Seap), Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), Ministério Público do Ceará (MPCE), Polícia Federal (PF), Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Corpo de Bombeiros Militar (CBM) e Secretaria de Segurança Cidadã da Prefeitura de Fortaleza.
As forças policiais estaduais também se movimentam para ter o maior número de homens possível nas ruas. Para isso, a SSPDS empossou, ontem, 371 novos policiais militares que, mesmo sem nenhuma experiência, já foram encarregados de controlarem uma das maiores séries de ataques criminosos da história do Estado. E ainda garantiu o pagamento de horas extras para policiais civis e PMs.
Nos presídios, o Governo quer reforçar, em alguns dias, o efetivo de agentes penitenciários com a nomeação imediata da turma de 220 aprovados no último concurso. A reportagem apurou que a ordem para alguns ataques partiu de dentro das unidades penitenciárias e há o risco de novas rebeliões dos presos, após um motim registrado na Casa de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) III na última quinta-feira (3).
Infratores
A força-tarefa da Segurança Pública já conseguiu prender 50 suspeitos de participarem dos ataques, em todo o Estado, até a tarde de ontem, segundo André Costa. A Pasta não revela a identificação dos infratores, mas um investigador afirmou à reportagem que são “prisões qualificadas”. 
Paralelamente, o Estado avança para realizar as mudanças prometidas no sistema penitenciário, como a separação de presos condenados de provisórios e o fim da distinção de internos por facção. Os trabalhos realizados na CPPL III levaram à identificação de mais de 250 detentos com envolvimento em distúrbios ocorridos nas unidades, que devem ser autuados pela Polícia Civil. 52 deles já foram autuados por desobediência, resistência e motim.
“A ação do Estado tem sido enérgica. Tanto dentro do sistema penitenciário como nas ruas. A resposta está sendo dada. Todo o reforço de policiamento, hora extra, policiais trabalhando voluntariamente, esticando o horário de escala. Todos estamos engajados para garantir essas respostas de maneira enérgica e dura, para que a gente não tenha uma continuidade dessas ações criminosas”, garantiu o titular da Secretaria da Segurança Pública, André Costa.
Informações: Diário do Nordeste