quinta-feira, junho 27, 2019

Sargento preso com cocaína na Espanha tinha salário de R$ 7.298; VÍDEO

O segundo-sargento da Aeronáutica preso nesta terça-feira, 25, com 39 kg de cocaina em Sevilha , Manoel Silva Rodrigues, já realizou, desde 2015, pelo menos 29 viagens, e em uma delas estava no grupo de militares que seguiram o presidente Jair Bolsonaro de Brasília a São Paulo, em fevereiro deste ano. As informações constam no Portal de Transparência do governo, que aponta também que o sargento tem remuneração bruta de R$ 7.298. 
 Foto: Gustavo Garcia/G1
Ainda na gestão Bolsonaro, Silva Rodrigues fez mais duas viagens. Em 24 de maio, ele voou de Brasília a Recife e fez o retorno no mesmo dia, período em que Bolsonaro visitou Recife. Em março, o sargento fez voos entre os dias 18 e 19, com destino as cidades de Porto Alegre e São Paulo. Na data, no entanto, Bolsonaro estava em viagem aos Estados Unidos.  VÍDEO:
Mais cedo, pelo Twitter, o vereador carioca e filho do presidente, Carlos Bolsonaro, havia dito que, até “onde” sabia, o sargento não havia voado com pai. Um tempo depois, se corrigiu na mesma rede. “Corrigindo, voou sim! Estou sabendo agora, em fevereiro! Assim como voou com Dilma e Temer”, disse Carlos. 
Os antecessores de Bolsonaro também viajaram com Silva Rodrigues na equipe de voo. Em janeiro do ano passado, quando Michel Temer embarcou para a Suíça, onde participou do Fórum Econômico Mundial em Davos, há registro do serviço do sargento no transporte do escalão avançado da Presidência. O portal também aponta que Silva Rodrigues viajou a Juazeiro do Norte (CE) em maio de 2016, quando a ex-presidente Dilma Rousseff esteve na cidade.
O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, afirmou nesta quinta-feira (27) que o militar brasileiro será julgado "sem condescendência" na Espanha e no Brasil. 
Segundo o ministro, o fato é "isolado", e o governo agirá "com total transparência". 
"Tudo que puder ser divulgado, que não comprometer o curso das investigações, será divulgado. O militar será julgado sem condescendência pela Justiça da Espanha e pela própria Justiça brasileira, conforme determinam as leis de ambos os países", declarou Azevedo e Silva. 
"Ressalto que não vamos admitir criminosos entre nós. Nesse caso, houve a quebra de confiança. A confiança é própria da cultura militar e nos é tão cara. Esse lamentável caso é fato isolado no seio dos integrantes das Forças Armadas", acrescentou o ministro. 
Presente à entrevista coletiva de Fernando Azevedo e Silva, nesta quinta-feira, o major Daniel Oliveira, porta-voz da FAB, informou que o militar preso não integrava a tripulação da aeronave presidencial, mas, sim, uma equipe de apoio. 
De acordo com o porta-voz da FAB, Daniel Oliveira, foi instaurado um inquérito policial militar (IPM) para apurar o caso. A investigação, acrescentou, tem prazo de 40 dias, prorrogáveis por mais 20. “Após a finalização do IPM, haverá remessa ao Ministério Público Militar, que poderá oferecer a ação penal. Se for denunciado, o militar será processado e poderá ser condenado e receber pena acessória de exclusão da Força. As punições são as previstas na forma da lei”, diz boletim da FAB lido pelo porta-voz. 
Segundo Daniel Oliveira, "em geral", existem procedimentos de inspeção de segurança nos voos da FAB, e a forma do procedimento depende da infraestrutura de cada aeroporto. 
"Os voos da FAB são submetidos, seja tripulação ou bagagem, a revistas, ao tipo de inspeção que possa vir aqui a justamente ser comprovado. E vai depender da infraestrutura de cada aeroporto", disse. 
Oliveira acrescentou que, na base aérea de Brasília, os procedimentos são feitos conforme cada missão. 
Questionado mais de uma vez se, no caso do sargento flagrado com cocaína, houve inspeção das bagagens, o porta-voz não respondeu, alegando que o fato está sob sigilo. 
Indagado se outros militares podem estar envolvidos no caso, Daniel Oliveira respondeu: "Essa afirmação é complicada em virtude do inquérito que está sendo instaurado. Então, a investigação vai ter desdobramentos e a resposta disso a gente vai conseguir após a conclusão do inquérito." 
De acordo com o porta-voz, a FAB criou um grupo de trabalho para realizar estudos a fim de aperfeiçoar a segurança nos voos. 
Daniel Oliveira disse ainda que a FAB não está prestando apoio jurídico ao militar, mas que o consulado-geral do Brasil em Madri assessora o sargento nesse sentido. Um advogado de defesa já foi designado pelo governo espanhol. 
(Com informações do Estadão e G1)