Venezuelanos passam fome e apelam à caridade pública no Piauí

José da Silva Santos (Foto: Wanderson Camêlo)
Mais um pequeno grupo de venezuelanos chegou a Teresina em busca de ajuda. Os imigrantes estão acomodados na Praça Saraiva, Centro de Teresina, desde a noite desta terça-feira (28).
José da Silva Santos (Foto: Wanderson Camêlo)
Além de adultos, integram o grupo crianças, jovens e idosos. Todos se acomodaram em acampamento improvisado debaixo de árvores e vêm sobrevivendo de doações. José da Silva Santos foi um dos que se solidarizou com a situação.
José da Silva Santos (Foto: Wanderson Camêlo)
Manobrista em um estacionamento privado, localizado no Centro da capital, ele largou por um momento o serviço para comprar salgadinhos e distribuir aos pequenos imigrantes. “Consegui sair rápido e comprei uns salgadinhos junto com um amigo pra vir trazer pra eles pra ajudar; vi que estão passando muita fome”, lamentou José.
Nicolás Maduro (Foto: Fabio Pozzebom / Agência Brasil)
Ao todo, 28 venezuelanos estão acomodados, em redes, na Praça Saraiva à espera de suporte por parte das autoridades locais. Eles expõem cartazes onde pedem ajuda dos que passam pelo local para poderem comprar comida.
O desejo dos imigrantes é conseguir pelo menos um lugar onde morar na capital. Segundo um dos líderes do grupo, Celso Mata, não há a possibilidade de regressarem ao seu país de origem, pelo menos até Nicolás Maduro, a quem criticou, permanecer no poder.
“Maduro tirou água, comida, tirou tudo. Tem muita gente passando fome. Passamos noites em uma fila para tentar conseguir comida. Quando se consegue algum emprego, temos de trabalhar muito para ganhar pouco e o que conseguimos não dá pra comprar quase nada porque as coisas estão caríssimas”, detalhou Celso.
O homem também pede ajuda para tratar de dores que sente na região do abdômen e que começaram depois que realizou uma cirurgia para a retirada do apêndice. O procedimento foi feito ainda na Venezuela.
Ainda segundo Celso, todos os integrantes do grupo (todos da mesma família) vieram de Belém, no estado do Pará, onde permaneceram por seis meses depois de atravessar a fronteira da Venezuela com o Brasil pela cidade de Boa Vista. “Lá em Belém nos prometeram alguma coisa, levaram documentos para assinarmos, mas não fizeram nada”, reclamou ele.
Em nota enviada ao Portal AZ, a Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi) informou que uma equipe técnica e Agentes de Proteção Social (APS) está levantando o número exato de pessoas do novo grupo, para que os integrantes possam ser inclusos no atendimento que já estava sendo feito ao outro grupo de imigrantes (que chegou a Teresina no último dia 14).
“Outras informações também serão levantadas pela equipe, como cadastro de migração, se participaram de ações de imunização em outros estados”, acrescentou a Semcaspi.
Confira a nota:
A Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi) informa que está acompanhando a chegada de um grupo de venezuelanos, nesta quarta-feira (29), na capital. Uma equipe técnica e Agentes de Proteção Social (APS) está levantando o número exato de pessoas do novo grupo, para que possam ser inclusos no atendimento que já estava sendo feito ao outro grupo. Outras informações também serão levantadas pela equipe, como cadastro de migração, se participaram de ações de imunização em outros estados. A Semcaspi informa que a Política Nacional de Assistência Social prevê a inclusão de migrantes em programas sociais do Governo e que os venezuelanos podem ser incluídos no recebimento de benefícios, caso estejam de forma legal no Brasil.
Venezuela
A crise política, econômica e humanitária que atingiu a Venezuela fez com que sua população procurasse refúgio em nações vizinhas. A situação coincide com o início do governo do atual presidente, Nicolás Maduro, que assumiu o poder em 2013, depois do falecimento de Hugo Chávez.
Sem condições financeiras para comprar até mesmo alimento, muitas mães famílias vêm entregando seus filhos às autoridades do país. Alguns dos que decidem permanecer na nação têm de comprar alimento estragado para não passar fome.
De acordo com matéria divulgada no G1, nesta quarta-feira (29), a Venezuela teve uma inflação de 130.060% em 2018 e uma contração da economia de 47,6% entre 2013 e 2018. As informações foram passadas pelo Banco Central do país, segundo a publicação.
Com a fronteira do país fechada desde o dia 21 fevereiro deste ano, os venezuelanos são obrigados a buscarem rotas clandestinas para chegarem até o Brasil.
“Relatório elaborado pelo Grupo de Trabalho da Organização dos Estados Americanos (OEA) alerta que a migração forçada de venezuelanos ultrapassará 5 milhões de pessoas até o final de 2019”, diz publicação que consta no site da Agência Brasil.
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Folha de Parnaíba

Repórter e comunicador, funcionário público concursado, idealizador do Portal Folha de Parnaíba. Pessoa humilde e trabalhador, autêntico, verdadeiro e temente a Deus. Email: folhadeparnaiba@hotmail.com