terça-feira, julho 07, 2020

Barbárie e memória norteiam o genocídio na educação pública estadual em Parnaíba

                      Vista lateral do Colégio Senador Chagas Rodrigues 
A luz que recai sobre a nossa observação remete a fatos sobre esquecimento e destruição na educação pública em Parnaíba. Para entender as imagens que nos leva perceber o que vem ocorrendo na cidade de Parnaíba recorremos à produção da memoria e da barbárie cuja única síntese é comparar uma pela outra, dai concluir que investir para desestimular a barbárie é recorrer a memoria para não esquecer fatos e acontecimentos da historia da educação pública na cidade de Parnaíba.
                                 Fachada do Grupo Escolar José Narciso 
A atual barbarização da nossa educação pública não é tão surpreendente assim se analisarmos as imagens que comprovam o desmanche de escolas publicas estaduais, ao mesmo tempo expressa a versão de um passado da sociedade parnaibana que sempre esteve acompanhada de uma educação que contava um numero expressivo de escolas em atividades mantidas pelo governo do estado.
                          Escola Cândido Oliveira na Av. Chagas Rodrigues 
Neste ponto a barbárie assume como algo externo e nocivo a ser evitado na relação entre o governo estadual e Educação. Quanto à memoria é aquela formada pelos fatos e aspectos julgados relevantes e que são guardados como referencia do passado.
                   Parte interna do Grupo Escolar José Narciso no bairro José 
As instalações de escola estaduais em Parnaíba vêm sofrendo danos e muitos, por conta da ação de vândalos e genocidas. Muitas Unidades tiveram as paredes totalmente depredadas, pichadas, o telhado arrancado, muros quebrados e, em diversos casos, equipamentos furtados, bem como existem prédios que há muito tempo foram desativados.


A cerca de que a escola publica de Parnaíba passou por grande desenvolvimento vai ao encontro da concepção daqueles que desejavam sucesso em seus estudos não precisavam migrar para o ensino privado, recorrendo às cenas atuais remetem desatenção e sentimento de perda.
É valido refletir sobre o que vem ocorrendo nas instalações do grupo escolar José Narciso o Colégio Senador Chagas Rodrigues. Unidades desativadas entre elas: Joaz Rabelo, o antigo Coleginho no Alto Santa Maria, o Clovis Salgado da Rua Francisco Severiano a Escola Técnica Estadual Ministro Petrônio Portela-ETEMPP com o seu ensino técnico/profissionalizante.
Os professores muitos deles eram selecionados e capacitados para cursos especializados e se tornaram emblemáticos na educação pública, entre eles: Edivaldo, Crânio, Jovelina, Belo, Cláudio, Alencar.
Por esse motivo cabe ao Estado e seus agentes sob o enfoque da atualização refazer o papel da desatenção com processo educacional visando assegurar direitos. O papel do Estado embalado pelo compasso lento de uma luta sem datas a partir da LDB no ano de 1988 efetivou o direito a educação gratuita priorizando ensino básico. Isso significa dizer, sendo a educação um direito adquirido o poder público é obrigado a oferecer uma rede de proteção, mas também exercer o papel de protetor, fiscalizador e incentivador.
Quanto o papel da memoria como meio social visa guardar experiências vividas dando importância aos fatos relevantes para que não caia no esquecimento, ao selecionar imagens de escolas publicas de Parnaíba estamos selecionando um contexto de narrativas de um passado eficiente na constituição da historia da educação e um presente que aos poucos se torna uma educação desvalorizada, e esquecida.
Daí de acordo com o (Gonçalves, p.224, 2015) a capacidade de destruir e a capacidade construir propõe um diálogo com aquilo que a memoria pode ter mais dolorosa e afetiva na mesma proporção, lembrar-se dos resultados em luta constante “entre o instinto da vida e o instinto de morte”, (2015). Desta forma analogia apresenta discursos e práticas daquilo que pode ser lembrado e preservado.
Ao mesmo tempo em que escolas são destruídas e desativadas a educação alcança a confirmação rápida do descuido, movimentos de esquecimentos gerando prejuízos para grupos envolvidos no Estado e Sociedade.
As imagens acessam um quadro onde a memoria é acessível e a barbárie nos parece difícil de ser controlada. Essa renuncia vem em nossa mente deixando nossa educação cada vez para trás, elenca um alto nível de demolição acompanhado a isso considerável crescimento de atitudes negligentes.
Espero que a nossa observação ajude o governo do estado a reconhecer nas imagens cenas de fracasso e abandono não como algo que acontece em terra de ninguém, mas como um capítulo da historia da Educação que afeta a todos nós.
GONÇALVES, José Reginaldo Santos. O mal-estar no Patrimônio: identidade, tempo e destruição. Estudos Históricos. Rio de Janeiro-RJ, 2015.
DAMASCENO, Elda Portela & CUNHA, Renata Cristina da. História e Memória da Unidade Escolar Zezita Sampaio: das recordações às vivencias aos olhos de professores. Parnaíba-PI, FID, 2015.
ILANUD-Instituto Latino Americano das Nações Unidas. Direito à Educação: garantias legais, 2016.
Por: Paulo Afonso Ferreira
Publicação: Jornal da Parnaíba