sexta-feira, outubro 30, 2020

No Piauí, justiça determina julgamento de PM acusado de tentativa de feminicídio contra companheira

João Paulo Norões de Lima Menezes também é acusado de ameaça e agressão. O crime aconteceu no dia 2 de julho de 2020, em Teresina, e o policial foi preso dias depois.
A audiência de instrução do sargento João Paulo Norões de Lima Menezes, da Polícia Militar do Piauí (PM-PI), foi marcada para esta quinta-feira (29), em Teresina. O policial é acusado de tentativa de feminicídio contra a companheira. O crime ocorreu na noite do dia 2 de julho, quando o policial teria agredido e ameaçado de morte a vítima. A sessão terminou sem data marcada para o julgamento do acusado.
De acordo com a denúncia, o casal estava chegando em casa quando o policial segurou a vítima por um dos braços e começou a agredi-la moralmente e psicologicamente, com ameaças de morte, chantagem e insultos.
“Culminando com violência física (puxão de cabelo), tudo sob o manto de que o fazia em razão da vítima não ter dado atenção a ele, agressor, ao longo do dia, bem assim não o deixar participar da vida financeira da vítima (violência patrimonial)”, diz a denúncia.

Ainda segundo o MP, o acusado arrastou a companheira para o quarto do casal, onde tentou esganar e sufocar a vítima, afirmando que iria matá-la.
“A vítima chegou a perder as forças quando tentava se defender, momento em que o investigado a soltou e saiu em busca da sua arma de fogo para concluir o feminicídio, a todo tempo xingando a vítima e asseverando que a mataria (ameaça), de modo que, durante toda a ação delitiva, o acusado reiterava a sua certeza que ninguém ouviria as rogativas da vítima, em virtude da distância do imóvel em relação aos vizinhos”, narra a denúncia.
O sargento foi preso no dia 10 de julho. De acordo com a delegada Luana Alves, coordenadora do Núcleo de Feminicídio do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), a prisão ocorreu em razão da conduta, modus operandi e vida pregressa dele, que responde a outra denúncia de violência contra a mulher.
Questionado pela delegada sobre essa denúncia, o sargento teria respondido, em depoimento, que se tratava da sua ex-mulher.
Entenda o caso
Após o crime, a vítima registrou o boletim de ocorrência na Delegacia de Defesa dos Direitos da Mulher (Deam /Norte). Em entrevista ao G1, o irmão da vítima informou que as agressões aconteceram na residência onde o casal morava, quando a ela havia acabado de chegar e o PM pediu para conversar com ela.
“Ele tinha bebido e disse que queria conversar com ela, mas já foi a puxando pelo braço, inclusive minha irmã está com o braço inchado. Ela correu para o banheiro, mas ele conseguiu arrombar a porta, jogou ela no chão, começou a dar murros nela", relatou.
Em seguida, ainda de acordo com o irmão da vítima, o agressor a pegou pelo pescoço e com a outra mão começou a asfixiá-la. "Ele dizia que ia matá-la e jogar o seu corpo no rio para os peixes comerem”, contou.
Depois, segundo o irmão da vítima, o policial trancou a companheira no seu carro, mas quando ia entrando no veículo ela conseguiu sair e fugiu para a casa da vizinha.
Na época, o comando-geral da PM-PI informou que o sargento estava afastado de suas atividades após ter passado por um procedimento cirúrgico. Quando foi preso, João Paulo Menezes foi encaminhado ao Quartel do Comando Geral da Polícia Militar.
O G1 procurou a corporação, nesta quinta-feira (29), para saber a situação do policial, e foi informado que o acusado continua custodiado no presídio militar.
Contudo, a PM não informou, até o momento, se há algum procedimento interno em aberto contra o policial.
Fonte: G1