quinta-feira, abril 15, 2021

Pistoleiro que matou empresário Janes Castro em Parnaíba é acusado de 30 homicídios

Edson Carlos é apontado na investigação como o pistoleiro que realizou os disparos que mataram Janes - Foto: Polícia Civil
Na manhã de ontem a Polícia Civil do Piauí, com apoio da Polícia Civil de Pernambuco, Polícia Civil de Alagoas e Polícia Rodoviária Federal, deflagrou a operação Sicário e realizou a prisão de oito pessoas envolvidas na morte do empresário Janes Cavalcante de Castro, de 53 anos, ocorrido no dia 18 de setembro de 2020, na cidade de Parnaíba.
"Essa é uma investigação que já dura muito tempo. A partir do momento do crime nós fomos até o local, nessa época o delegado Igor estava de férias, eu fiquei a frente do caso durante 12 dias, depois ele se inteirou da situação. Eu mesmo passei dez dias no sertão pernambucano, alagoano, já fazendo esse levantamento quando começamos a desconfiar que teriam pessoas envolvidas que residiam naquela localidade, até porque não temos como resolver por telefone", declarou.
Segundo o delegado, o acusado de realizar os disparos contra o empresário já responde por mais de 30 homicídios na justiça. "Quando acontece o crime nós vamos até o local, recolhemos os primeiros elementos, foi um crime que não deixou testemunhas, não era uma briga de família, não era uma briga entre vizinhos, a gente viu que era uma execução, um crime de pistolagem. O executor identificado como Edson Carlos Veríssimo da Silva é muito experiente, a Polícia Civil de Alagoas estima que ele tem mais de 30 homicídios. Ele conseguiu efetuar os disparos com o carro estando em movimento, ele também estando em movimento na garupa da motocicleta conseguiu acertar e de lá ele fugiu. Eles atravessaram a Avenida Pinheiro Machado no sentido do mercado e logo em seguida o outro parceiro deles, o Robervan parou o carro e fugiram em seguida para o Ceará", declarou.

José Robervan é o chefe dos homicídios, ele é contratado para pegar uma equipe para matar - Foto: Divulgação/Polícia Civil
"O Robervan é natural de Arcoverde, no Pernambuco e lá é onde ele mantêm o escritório do crime, o escritório de homicídios, ele é como se fosse o dono da empresa, uma empresa de praticar homicídios a gente já viu que em outras situações ele também é chamado para a prática de homicídios. Então ele é a pessoa que organiza quando alguém precisa matar alguém, é só contratar o Robervan", afirmou o delegado.
João Rodrigo Lunna narrou em detalhes como foi a investigação. “Uma parte da quadrilha veio uma semana antes para a cidade em um veículo modelo Siena Branco. Um dia antes do crime uma pessoa trouxe a moto, que veio em cima de um carro justamente para não deixar caminhos. Eles pensaram em tudo para dificultar a investigação, são profissionais no que fazem”, disse.
“Eles já estavam aqui em Parnaíba há mais ou menos cinco seis dias, paravam o carro próximo a residência da vitima, via o horário que ele saía, o carro que ele saía e nós conseguimos verificar que eles já tinham feito esse levantamento. A partir daí encontramos os outros elementos”, afirmou o delegado.
Janes Cavalcante foi surpreendido e morto a tiros em Parnaíba em setembro de 2020 - Foto: Reprodução
Sobre os pagamentos, o delegado afirmou: “Tem duas formas de depósito, uma que a gente acredita que seja para o custo do trabalho que foi de 6 mil que foram feitos no dia anterior ao crime na conta do Robervan e outro na conta de outra mulher que foi presa. Uma segunda mulher que foi presa é a esposa do Edson, do executor, que ele utilizava as contas dela para receber os valores inclusive na conta dela já tem um volume de dinheiro bem maior. Nós pedimos a justiça para ser bloqueado todos os valores”, informou.
O delegado disse ainda que é muito cedo para se concluir uma possível motivação do crime, mas adiantou que o mandante pode ser uma pessoa com a qual Janes mantinha contato profissional. "Quando surge um crime desse a gente tem duas linhas de investigação, temos que investigar a execução do delito e depois a motivação para fazer uma ligação. Nós conseguimos fechar a execução, o Janes ao falecer tinha muitos credores, tinha uma lista de credores, profissionalmente ele estava meio enrolado e isso surge muitas suspeitas, mas tudo tem que ser verificado, a investigação não acabou. É bem provável que o mandante tenha sido piauiense porque é aqui que o Janes vive, e é aqui que ele arrumou as suas inimizades, então o mandante é a pessoa que está ligada de alguma forma aos negócios do Janes, essas pessoas que são de fora, de Pernambuco de Alagoas, elas foram contratadas para fazer o serviço, elas não tem vínculo com o Janes, a pessoa que tem esse vínculo, esse ódio que causou a morte dele, que contratou pistoleiros profissionais e gastou uma grande quantidade de dinheiro nesse serviço, provavelmente é uma pessoa que tinha uma relação com ele ou que teve", finalizou.
Fonte: Meio Norte