sábado, julho 16, 2022

João Vicente Claudino oficializa apoio a Sílvio Mendes e alfineta atual gestão por conta do escândalo no ProAja

“A esperança não pode morrer”. Foi com essas palavras que Sílvio Mendes (União Brasil), oficializou, nesta sexta-feira (15), o apoio do ex-senador João Vicente Claudino (Podemos) à sua pré-candidatura a governador e à pré-candidatura a vice-governadora de Iracema Portella (Progressistas).
Em solenidade bastante prestigiada, que contou com a presença do ministro-chefe da Casa Civil Ciro Nogueira, Sílvio Mendes se emocionou ao oficializar o apoio de João Vicente. Lembrou da época em que foi prefeito de Teresina e teve o apoio do ex-senador e de todo o seu grupo político, à época.
Sílvio destacou a união em torno de um projeto para mudar o Piauí. Destacou as inúmeras possibilidades de transformar o futuro do estado, relembrando sua trajetória e experiências que resultaram em melhorias para Teresina durante seus dois mandatos. “É preciso ter coragem para lutar e estar aqui hoje, pois todas as nossas ações refletem na vida de muitas pessoas. Mas se você for honesto e tiver pessoas que mesmo diferentes tenham os mesmos propósitos, com certeza conseguiremos mais. Então, votem em ‘nós’. O governo é nosso, é de todos. Portanto, é com muita emoção que oficializamos esse apoio com João Vicente hoje. Para que juntos possamos mudar o futuro do Piauí”, afirmou o pré-candidato a governador.

João Vicente Claudino disse estar tranquilo quanto às suas escolhas. E destacou que tem orgulho de sua trajetória política. Aproveitou para convocar todos a transformarem o futuro do estado: “Me sinto a vontade, livre e feliz para estar aqui hoje. Falo isso com coração cheio de esperança: reconstruiremos um Piauí com uma gestão não somente política, mas que também olha para sua população e o futuro”.
ESCÂNDALO PROAJA
O ex-senador João Vicente Claudino destacou ainda o caso que envolve um programa de alfabetização do Governo do Estado, chamado ProAja. O escândalo inclusive ganhou destaque nacional nas páginas da revista Veja, pois cerca de mil pessoas que já morreram foram inscritas como “estudantes”, segundo um relatório do TCE-PI que aponta as irregularidades. JVC lembrou da mistura de dois casos que estarreceram a sociedade num passado recente: GR e Caso Escola.
João Vicente Claudino fez críticas ao modelo administrativo que se mantém no poder no Piauí há 20 anos. Foi muito duro ao classificar o Programa de Educação de Jovens e Adultos (Proaja) como uma “mistura de GR com Casa-Escola”. A mistura de dois programas do segundo mandato de Alberto Silva como governador do Piauí (1987-1991) demonstraria o caráter eleitoreiro, de desvio de recursos públicos e de fiasco quanto aos objetivos a serem alcançados.
GR foi um tipo de gratificação criada durante o mandato do ex-governador Alberto Silva, distribuídas aos milhares, obedecendo tão-somente a critérios políticos para favorecer candidatos aliados do governo.
A distribuição das GRs produziu tantos contracheques que no final do governo Alberto Silva os gastos com a folha de pagamentos superavam em 120% as receitas disponíveis mensalmente para o estado fazer frente a todas as despesas correntes. Ou seja, o estado quebrou.
A implantação de gratificações aos milhares deu-se em paralelo à implantação do Programa Casa Escola, que consistia em criar vagas de ensino pré-escolar (atual ensino infantil) para crianças em residências particulares, a da própria professora ou de pessoa que pudesse exercer a função, mediante pagamento feito pelo programa.
Os desvios de recursos no Casa Escola foram milionários, com resultados práticos nulos, porque foi modelado não para ensinar crianças, mas para ser mola propulsora de interesses políticos localizados no âmbito dos partidos aliados do governo. Com o Proaja dá-se algo parecido: criam-se empregos de professores alfabetizadores, que ministram aulas em residências particulares, com pouca ou nenhuma garantia de se atingir metas (alfabetizar as pessoas) e elevado risco de o programa com R$382 milhões em caixa virar um enorme ralo para desvio de dinheiro público, como já denunciado em auditoria do TCE e em inquérito do Ministério Público Federal no Piauí.